Um novo retrato global da conectividade digital coloca os países do Golfo no topo do ranking mundial da Internet móvel e expõe, em contrapartida, os desafios estruturais que continuam a manter Angola e várias nações africanas entre as posições mais baixas da banda larga fixa.
Os dados do Speedtest Global Index, compilados a partir de relatórios de desempenho de redes em todo o mundo, revelam duas realidades contrastantes: a de países na vanguarda tecnológica, com velocidades próximas dos 700 Mbps, e a de economias que ainda lutam por uma conectividade básica, com médias que não ultrapassam os 25 Mbps.
No ranking da Internet móvel, que analisou 105 países, a liderança é dominada pelos Estados do Golfo Pérsico. Os Emirados Árabes Unidos surgem destacados no primeiro lugar, com uma velocidade média de download de 691,76 Mbps, seguidos pelo Qatar, com 573,57 Mbps, e pelo Kuwait, com 415,67 Mbps.
O top 10 fica completo com Bahrein, Bulgária, Brasil, Coreia do Sul, Brunei, Arábia Saudita e Singapura, todos com velocidades superiores a 190 Mbps. Angola não integra este universo de países analisados no ranking móvel, ficando fora da comparação directa nesta categoria.
No segmento da banda larga fixa, que avaliou 156 países, o mapa da excelência revela-se mais diversificado. Singapura lidera a tabela com uma velocidade média de 410,06 Mbps, afirmando-se como um dos principais hubs digitais globais. Seguem-se os Emirados Árabes Unidos, com 382,35 Mbps, reforçando a sua aposta estratégica na conectividade, e a França, com 349,25 Mbps, como principal representante europeia.
A lista das dez primeiras posições inclui ainda Chile, Hong Kong, Islândia, Macau, Estados Unidos, Vietname e Suíça, todos com velocidades acima dos 280 Mbps.
No extremo oposto do ranking da Internet fixa encontra-se a realidade angolana e a de vários países africanos. Angola ocupa a 136.ª posição, entre 156 nações avaliadas, com uma velocidade média de 23,27 Mbps.
Logo abaixo surgem outros países que enfrentam limitações semelhantes no acesso a uma banda larga fixa de qualidade. Iémen (140.º), Senegal (139.º), Tanzânia (138.º) e Tunísia (145.º) registam velocidades médias que variam entre os 18 e os 21 Mbps, evidenciando desafios persistentes ao nível das infra-estruturas, investimento e cobertura.
O relatório sublinha, assim, o fosso crescente entre regiões altamente digitalizadas e países que ainda procuram consolidar as bases da sua conectividade, num contexto em que o acesso rápido e fiável à Internet se tornou um factor-chave para o desenvolvimento económico e social.









